Turismo

Património

O património turístico de Carrazeda de Ansiães tem como ex-líbris a Fonte das Sereias, embora se destaquem também o pelourinho do século XIII, os antigos Paços do Concelho e a Igreja Matriz, esta datada de 1790. Também merecem atenção as casas brasonadas e o moinho de vento, bem como os diversos elementos artísticos que têm transformado a vila na capital da escultura. Ainda assim, o ponto mais conhecido acaba por ser o Castelo de Ansiães.
Classificado monumento nacional em 1910, o Castelo de Ansiães terá tido início no terceiro milénio antes de Cristo, durante a fase pré-histórica denominada de calcolítico. Segundo os dados obtidos em escavações arqueológicas, as condições geomorfológicas deste morro granítico ditaram a ocupação sucessiva do reduto defensivo, abarcando ainda as Idades do Bronze, do Ferro e da romanização do território transmontano.
A igreja de São João Baptista mantém características que, segundo os historiadores, testemunham uma construção pré-românica que sofreu diversas adaptações. O templo fica implantado numa zona onde perdura um conjunto de estruturas de vincada tipologia romana, sobretudo muretes e interfaces de muretes, que na quase totalidade foram destruídos pela necessidade de implantação da necrópole exterior, situada a Norte.
Na outra vertente do Castelo está a igreja do S. Salvador, cujo tímpano “Pantocrator” do portal principal, com iconografia de “Cristo em majestade”, é o mais completo exemplar do românico português.
A Fonte das Sereias, em granito, deve o nome às quatro sereias que ornamentam a coluna, com remate em anelete. O perímetro é ornado com quatro mascarões com bicas, estando o conjunto coroado por motivo cúbico que em cada face ostenta um nicho com imagem da padroeira, Santa Águeda, enquadrado por duas cruzes em alto relevo junto aos ângulos superiores. O motivo exterior cilíndrico, ornado de arcos e círculos em alto relevo, sugerindo vãos, foi interpretado como a figuração do Castelo de Ansiães.
Na aldeia anexa de Samorinha destaca-se o Largo do Cruzeiro, cujo granito demonstra a força da terra transmontana. É neste ponto central da localidade, ladeado por habitações e com um relógio de sol em pedra, que duas rochas arredondadas serviram de banco a muitas gerações.

 

Biodiversidade

A diversidade paisagística e a riqueza da fauna do planalto carrezedense são outros valores a descobrir pelos visitantes. A sumarenta maçã tem vindo a ganhar terreno a outras culturas já enraizadas, como a oliveira, o trigo, o centeio, a batata, o castanheiro, a amendoeira e a figueira.
As características mediterrânicas da área permitiram uma elevada biodiversidade, que a nível vegetal vai desde árvores de maior porte (carvalhais, azinhais, zimbrais) a comunidades arbustivas (giesta, carqueja, estevas, rosmaninho, urzes, salva e alecrim). A presença do azevinho merece destaque por ser uma espécie cuja sobrevivência depende de medidas de protecção e conservação.
Na fauna, foram inventariadas no concelho 152 espécies, das quais 15 répteis, 97 aves, 6 anfíbios e 34 mamíferos. Acrescente-se que, dessas 152, em Carrazeda existem 30 espécies relevantes pelo elevado interesse conservacionista. Quanto a recursos cinegéticos, destacam-se a perdiz, a codorniz, o tordo, o coelho, a lebre, a raposa e o pombo. Na pesca, merecem relevo as bogas, os escalos, o barbo, o sável, a tenca e a carpa.

 

Literatura

Vários autores têm abordado Carrazeda de Ansiães nas suas obras, dando expressão ao panorama cultural do planalto carrezedense. Roger Teixeira Lopes escreveu, em 1996, “Carrazeda de Ansiães – património artístico”, obra integrada na colecção Terra Transmontana. Ainda na área documental, Ricardo Manuel Paninho Pereira escreveu “…de Ansiães a Carrazeda de Ansiães”, em 1991, e Maria Otília Pereira Lage, em 2004, publicou “Tesouros, mouras e facanitos – estórias, trilha da história”.
Maria Adelaide Fernandes dedicou-se a escrever “Manuel Maria Múrias Júnior – breves notas bibliográficas”, abordando o pensamento desse vulto da literatura nascido em Carrazeda de Ansiães.
Na poesia, temos o exemplo de “Rude (A)gosto no olhar”, versos de João Manuel Sampaio publicados em 2000.
Em 1996, o Concurso Literário em Prosa entregou o primeiro prémio a Orlando Inocentes, jornalista bragantino, pela ficção “…e depois do adeus”. O segundo prémio foi para Arcelina Samorinha, por “Carrazeda de Ansiães – suas terras e suas gentes”.
A Doutora Maria Otília Pereira Lage, autora de "Tesouros, mouras e facanitos – estórias, trilha da história" escreveu ainda: "Comunidade e Fábrica na linha de fronteira - Um caso no modo de industrialização português" ( publ. 1995); "Wolfram = Volfrâmio. Para uma análise transversal da Sociedade Portuguesa - anos 1930-1960" (publi.2001); "Histórias do Avô Sapo, Um Rogador do Douro" (publ. 2006); "Correspondência(s) – Mécia/Jorge de Sena (Evocação de Carrazeda, anos 1940)" (publ 2007); "Organização da Edição Comemorativa do Foral Manuelino de Ansiães" (publ. 2010); "Portugal como (Im) possibilidade continuada: Cidadania e exílios" e “À conversa com Jorge de Sena” (publ 2010).
Outro académico, o Dr. Hélder Rodrigues, é natural de Mirandela, mas encontra-se há muitos anos radicado em Carrazeda de Ansiães, tendo publicado: "A Palavra na Boca – poesia" (1999); "Contos de Pedra" (1996); "A Salto – contos" (1999); "Ciganos – Percursos de Integração e de Reivindicação da Identidade" (2006); "A Festa de Santa Eufémia – Lavandeira" (2002) – "Mirandelês" (co-autoria com Jorge Golias, Jorge Lage e João Rocha, 2010).

Alojamento

Residencial Veiga
Telefone: 278 617 352 / 278 616 365

Quintinha do Manel
Telefone: 278 617 487

Bom Sossego
Telefone: 278 615 235

Vitinho
Telefone: 278 616 863